0 Falar é Fácil, Difícil ...



Falar é fácil , difícil mesmo é abrir cada gaveta emaranhada pra buscar por um bilhete do sucesso e não fechar de novo, porque amanhã você procura de novo porque hoje é melhor nem mexer. Difícil é deixar o conforto da cama no horário bem cedo pra levantar mais cedo ainda e fazer outra coisa, que não somente o que deveria ser feito, estabelecido por você mesmo. Difícil é não ter preguiça, não ter sono, não ter angústia, não sofrer porque engordou. Difícil é dizer que não, nada haver, “o que interessa mesmo é a beleza interior” e acreditar nisso no fundo do seu coração. Difícil é não querer ser importante, famoso, reconhecido. Difícil é não fumar quando se fuma e quer parar e dói algum sentimento. Difícil é dizer que não dói quando dói tudo, até o dedinho do pé, quando lá dentro machuca. Difícil é viver sem reclamar. É achar que ta sempre tudo bem, que o dinheiro lhe basta, que as unhas descascadas estão OK, que o pão murcho da padaria agrada, que pessoas morrem e nascem todos os dias e nada disso incomoda. Então é difícil mesmo é ser assim, alheio ao mundo, autista por querer e, pior, tentar, todos os dias se convencer disso. Difícil é levar tombo. É quebrar a perna, a cara, o quadro de paisagem. Difícil é deixar seu rádio de subconsciente ligado á noite zumbindo no seu ouvido. Mais difícil é lutar para sua razão acreditar que eram apenas sonhos. Difícil olhar para as estrelas e não querer fazer um pedido, um gênio da lâmpada, um anjo, um milagre. Uma coisa qualquer de fora. Difícil é ser assim como é, sem estampa, com todos os fatos, atos e condições de nome defeito. Ser assim, arrogante, careta, careca, bobo, inocente, vulgar,  medroso, melodramático, pessimista, previsível e: perfeccionista, lógico. Difícil ser isso tudo de cara limpa, de peito aberto, sem esconderijos na alma, sem saídas de ego. É difícil isso tudo e ser bacana, admirado, agradável aos gregos e aos troianos, aos africanos, aos indianos, aos pobres, aos ricos, aos políticos, aos vermelhos, brancos, amarelos, pretos, pardos e  poetas. Difícil é isso tudo sem machucar, sem cutucar, sem abrir fendas, feridas e conceitos. É difícil ser gente grande e ser gente pequena. Difícil se desprogramar. Difícil desorganizar, entrar em pane, sacrificar matéria prima do desmontar: o que dói. Difícil definir o que realmente dói. Difícil entrar pra dentro, sair do fora, virar casulo de borboleta. É difícil olhar pro seu espelho e não virar as costas. É difícil ser você, ser a gente. E ser agente da mudança que nunca teve coragem de continuar pensando quando lhe vem à mente.  Falar é fácil! Difícil é ser. Experimentar é apavorante e largar mão. Desconectar. Se falar é fácil, e muito fácil, falar para os outros é facílimo! Dizer pra si é extraordinário. Experimentar chutar a porta com o dedão do pé é prova de que, depois do curativo que se dá, o alívio é evento consequência.   Se difícil, então, é chutar a porta e rasgar o dedo do pé na metade, fácil é olhar lá dentro da ferida. E assim descobre sangue,ossos, a raiva, a porta malvada, os xingamentos, as culpas dos outros. E as suas. Passada a fase do outro, começa a fase você. E aí, não tem como fugir por muito tempo.  Por hora da pra ver, que se fizer o caminho INVERSO,  irá encontrar a chave do "sucesso" e tudo que saiu da sua boca, fez  você chegar ao coração...
[Luane. V. Figueiredo]

P�gina Anterior Pr�xima P�gina Home
 

Copyright © 2012 Petit Po�! Elaborado por Marta Allegretti
Usando Scripts de Mundo Blogger